Enquanto
as grandes cidades e principalmente as capitais se tornam verdadeiras praças de
guerra, numa expressão que extrapola a discussão sobre redução de tarifas de
ônibus. O interior começa a abrir os olhos, para as injustiças sociais e os
desmandos dos governantes. Hoje está prevista uma passeata em Garanhuns, onde a
passagem está em R$ 2,10. Considerando o percurso realizado pelos ônibus, de
pouco mais de 5 quilômetros, é a passagem mais cara do Brasil. Amanhã é a vez
de Iati realizar um ato público em protesto contra o governo do Padre Jorge.
Pois é... padre também erra. E muito ao que parece pela insatisfação dos
iatienses.
As
manifestações que vemos e ouvimos diariamente pela TV e o pelo Rádio, mostra a
inquietação do povo brasileiro. Seguindo a ótica de que "trair e coçar é
só começar", os manifestos apenas precisavam iniciar, pois uma reclamação
chama a outra. Ônibus com preços abusivos foi apenas o estopim da bomba. No dia
7 de setembro os movimentos sociais ligados à igreja criaram o "Dia do
Grito", como uma forma de expressar que na Independência ainda gritamos
por igualdade, dignidade, honestidade. Mas nunca o grito dos Excluídos ecoou
tanto quanto nessas atuais manifestações. Ainda podemos ter o grito daqueles
que se iludem com subempregos... estagiários que se submetem a receber abaixo
do salário mínimo, que ficam três, quatro meses sem receber, e ainda têm medo
de falar. Se falar pode não receber mais nunca. Afinal, votou pensando que
seria tratado diferente... votou em seu escolhido. Agora é só aguentar até onde
puder.
As
praças públicas das capitais nunca foram tão públicas. Mas difícil conter os
reclamantes. Em 100 mil pessoas, sempre haverão aqueles que não estão nem aí
para os 20 centavos. Estão mais para aproveitar a oportunidade e acobertar seus
erros, roubando e saqueando lojas e bancos. Querem mais se dar bem de qualquer
forma. Por isso, difícil também, é manter uma polícia que ante o descontrole da
massa vá dialogar. Julgar um ato público, sempre nos deixará no limite de
nossas condições intelectuais. Podemos julgá-lo quanto a seus objetivos, mas
não teremos habilidade suficiente para julgá-lo enquanto ao comportamento de
uma horda de insatisfeitos. Melhor é participar e dar nossa parcela de
contribuição. Importante é dizer, com essas manifestações, que o pode vem do
povo e emana para ele. Pois se calarem a voz do mais humilde dos brasileiros,
aquela independência proclamada em 7 de setembro, ficará apenas na história. E
mais uma vez me remete ao poema do russo Vladimir Maiscovisc, no início eles
roubam uma flor e não dizemos nada... e por continuar dizendo nada... um dia já
não haverá mais nada para dizer.
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