quarta-feira, 19 de junho de 2013

Brasil: aumentos acordam o gigante adormecido

Enquanto as grandes cidades e principalmente as capitais se tornam verdadeiras praças de guerra, numa expressão que extrapola a discussão sobre redução de tarifas de ônibus. O interior começa a abrir os olhos, para as injustiças sociais e os desmandos dos governantes. Hoje está prevista uma passeata em Garanhuns, onde a passagem está em R$ 2,10. Considerando o percurso realizado pelos ônibus, de pouco mais de 5 quilômetros, é a passagem mais cara do Brasil. Amanhã é a vez de Iati realizar um ato público em protesto contra o governo do Padre Jorge. Pois é... padre também erra. E muito ao que parece pela insatisfação dos iatienses.

As manifestações que vemos e ouvimos diariamente pela TV e o pelo Rádio, mostra a inquietação do povo brasileiro. Seguindo a ótica de que "trair e coçar é só começar", os manifestos apenas precisavam iniciar, pois uma reclamação chama a outra. Ônibus com preços abusivos foi apenas o estopim da bomba. No dia 7 de setembro os movimentos sociais ligados à igreja criaram o "Dia do Grito", como uma forma de expressar que na Independência ainda gritamos por igualdade, dignidade, honestidade. Mas nunca o grito dos Excluídos ecoou tanto quanto nessas atuais manifestações. Ainda podemos ter o grito daqueles que se iludem com subempregos... estagiários que se submetem a receber abaixo do salário mínimo, que ficam três, quatro meses sem receber, e ainda têm medo de falar. Se falar pode não receber mais nunca. Afinal, votou pensando que seria tratado diferente... votou em seu escolhido. Agora é só aguentar até onde puder.

As praças públicas das capitais nunca foram tão públicas. Mas difícil conter os reclamantes. Em 100 mil pessoas, sempre haverão aqueles que não estão nem aí para os 20 centavos. Estão mais para aproveitar a oportunidade e acobertar seus erros, roubando e saqueando lojas e bancos. Querem mais se dar bem de qualquer forma. Por isso, difícil também, é manter uma polícia que ante o descontrole da massa vá dialogar. Julgar um ato público, sempre nos deixará no limite de nossas condições intelectuais. Podemos julgá-lo quanto a seus objetivos, mas não teremos habilidade suficiente para julgá-lo enquanto ao comportamento de uma horda de insatisfeitos. Melhor é participar e dar nossa parcela de contribuição. Importante é dizer, com essas manifestações, que o pode vem do povo e emana para ele. Pois se calarem a voz do mais humilde dos brasileiros, aquela independência proclamada em 7 de setembro, ficará apenas na história. E mais uma vez me remete ao poema do russo Vladimir Maiscovisc, no início eles roubam uma flor e não dizemos nada... e por continuar dizendo nada... um dia já não haverá mais nada para dizer.

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